HAMLET, O PRÍNCIPE DA DINAMARCA - William Shakespeare
(Resenha)
A propósito do filme que
assisti, “Hamnet: A Vida Antes de
Hamlet”, o longo e monótono filme com oito indicações ao Oscar, avalio que
a melhor parte foi a encenação final num teatro medieval da peça que o
personagem William Shakespeare escreveu e atua como ator. Essa peça é a famosa
tragédia HAMLET, que teria sido inspirada na sua tragédia pessoal, após a morte
narrada no filme do seu filho Hamnet. Depois de assistir ao filme fiquei
mobilizado para reler mais uma vez a peça Hamlet de Shakespeare, livro que
tenho na minha biblioteca pessoal. Fazer uma resenha dos livros clássicos lidos
por mim é um exercício literário que gosto muito de fazer. Eis a minha resenha:
A peça inicia com o príncipe Hamlet melancólico
pela morte repentina do seu pai, o Rei Hamlet, e também porque, em menos de
dois meses depois do seu falecimento, a rainha sua mãe casou-se com o irmão do
rei morto: “Há algo de podre no Reino da Dinamarca!”.
A trama da tragédia se
desenrola a partir do aparecimento do Fantasma do Rei Hamlet, pai do príncipe
Hamlet, para informar ao filho que a sua morte não foi por uma picada de
serpente, como a versão mentirosa adotada pela corte, pois a verdadeira
serpente foi o irmão do rei que colocou veneno em seu ouvido enquanto ele
estava dormindo: “Assim, dormindo, pela
mão de um irmão, perdi ao mesmo tempo a coroa, a rainha e a vida.”
Então o príncipe Hamlet
comenta: Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a filosofia. Depois
desta revelação do Fantasma do Rei de sua morte ter por assassinato, o príncipe
Hamlet assume um comportamento alucinado blasfemando contra tudo e todos. Ser
ou não ser – eis a questão. Pegar
em armas contra o mar de angústias ou morrer, dormir. O obstáculo são os sonhos
que hão de vir no sono da morte. Quem aguentaria fardos numa vida servil
senão pelo terror de alguma coisa após a morte?
O Rei e a Rainha tentam
entender por que Hamlet se acometeu desse estado de loucura, e desconfiam que
seja por estar apaixonado por Ofélia, cujo pai Polônio proibiu o namoro dela
com o príncipe, por achar que ele apenas queria abusar da ingenuidade e pureza
da filha. O novo Rei e a Rainha passam a espionar Hamlet em seus longos
monólogos delirantes. Em um encontro do príncipe com a rainha sua mãe, ela
havia instruído o serviçal Polônio, seu conselheiro, a ficar atrás da cortina
escutando a conversa para auxiliar no entendimento da razão da loucura de
Hamlet. Porém o príncipe
percebeu que havia alguém atrás da cortina: O que isso? Um rato? Num lance com
o florete dá uma estocada através da cortina e mata Polônio, o pai da Ofélia. Hamlet comenta: Eu não estou louco de
verdade, estou louco somente por astúcia.
Ofélia também passou a delirar
enlouquecida depois da morte do seu pai, cuja causa não foi esclarecida pela
corte. Laertes, o irmão de Ofélia, voltou do exterior com a notícia da morte do
pai. Uma desgraça marcha no calcanhar de outra: Ofélia morreu afogada no
riacho. Laertes comenta ao saber da que sua irmã morreu afogada: Já tens água
demais, pobre Ofélia. Por isso contenho minhas lágrimas. O Rei e a Rainha informam Laertes que foi
Hamlet quem matou o pai dele e de Ofélia, que o príncipe é o causador da desgraça de sua irmã. E
orientam Laertes, que é um exímio espadachim, para que realize seu desejo de
vingança lutando com Hamlet nas regras da esgrima, porém colocando veneno na
ponta de seu florete para que o mínimo toque mate seu adversário. E por via das
dúvidas, o Rei colocará veneno numa taça de vinho comemorativo para oferecer a
Hamlet quando ele estocar Laertes.
No entendimento popular a
morte de Ofélia foi por suicídio, mas a corte adotou a versão de que foi por
ela ter caído do alto do galho de um salgueiro à beira do riacho. Assim ela
pode ser enterrada numa sepultura cristã.
Numa cena em que os coveiros
estão cavando a cova para Ofélia, um deles encontra um crânio que o coveiro
identifica como o do Bobo do Rei. Hamlet pega o crânio e conversa com ele: Olá,
eu o conheci, mil vezes me carregou nas costas! Onde andam agora tuas piadas, tuas
cambalhotas e teus lampejos de alegria que provocavam gargalhadas? E agora fede assim!
Nisso chega no cemitério o
Rei, a Rainha e Laertes com o corpo de Ofélia acompanhados com padres e
procissão. Só então Hamlet fica sabendo
que a pura Ofélia morreu, ele salta dentro da sepultura e pede para enterrarem
os dois juntos, o vivo e a morta. Laertes
fica indignado e começa a lutar com Hamlet. Durante a luta o príncipe revela
que amava Ofélia. No meio da luta o Rei oferece um brinde com a taça envenenada
para Hamlet, mas ele não aceita e prefere continuar lutando. Nisso a Rainha sua
mãe bebe da taça envenenada e oferece ao
seu filho que outra vez rejeita. Laertes
fere Hamlet com seu florete com veneno, na violência deste golpe as espadas saltam
no chão e são trocadas e Hamlet fere Laertes também com o florete envenenado. A
Rainha morre, e Laertes cai e avisa que ambos vão morrer, pois Hamlet também
foi estocado pela mesma arma que ele. Então Laertes percebeu a trama e acusa o
Rei como sendo o culpado por tudo. Hamlet então fere o Rei com a arma envenenada,
dizendo: Toma Rei maldito, assassino, segue minha mãe. O Rei morre.
Laertes parabeniza Hamlet
dizendo que o Rei teve o que merecia, e que trocava o perdão do príncipe pelo
seu perdão: “Que a morte de meu pai não pese em ti, nem a tua morte pese em
mim! Laertes morre.
Hamlet se despede assim em sua
derradeira fala: O Céu te absolva! Vai, eu te sigo. Estou morto, mas você
Horácio que vive explique a minha causa fielmente àqueles que duvidem, para que
as coisas não fiquem assim ignoradas. O
resto é silêncio. Hamlet morre.
No fim morreram todos os
personagens protagonistas da tragédia de Shakespeare, numa guerra de todos
contra todos, restando apenas um personagem secundário da peça com esta missão
de contar para a prosperidade a história de Hamlet, o príncipe da Dinamarca.
A propósito da prosperidade,
na virada de 2025 para 2026 houve uma polêmica que viralizou nas redes sociais
no Brasil, acumulando milhões de visualizações, com a música “The Fate of
Ophelia” da Taylor Swift. Surgiu uma versão da música em português, criada por
inteligência artificial, com o título “Sina de Ofélia”, que utilizou sem
autorização as vozes clonadas dos cantores brasileiros Dilsinho e Luisa Sonza.
A música com o tema da tragédia de Ofélia de Shakespeare entrou no Top 50 do
Spotify no Brasil antes de ser derrubada´.
Em Hamlet a Dinamarca está ameaçada de ser invadida pela
Noruega que quer retomar parte de seu território e, no final, após a morte de
toda a família real dinamarquesa, o Príncipe Fortinbrás da Noruega assume o
trono da Dinamarca sem resistências. Atualmente o Trump ameaça invadir a
Groelândia para os EUA se apropriar deste território da Dinamarca. Encontrará Trump
maiores resistências dinamarquesas do que Fortinbrás?
