sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 


HAMLET, O PRÍNCIPE DA DINAMARCA - William Shakespeare

(Resenha)

A propósito do filme que assisti, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, o longo e monótono filme com oito indicações ao Oscar, avalio que a melhor parte foi a encenação final num teatro medieval da peça que o personagem William Shakespeare escreveu e atua como ator. Essa peça é a famosa tragédia HAMLET, que teria sido inspirada na sua tragédia pessoal, após a morte narrada no filme do seu filho Hamnet. Depois de assistir ao filme fiquei mobilizado para reler mais uma vez a peça Hamlet de Shakespeare, livro que tenho na minha biblioteca pessoal. Fazer uma resenha dos livros clássicos lidos por mim é um exercício literário que gosto muito de fazer. Eis a minha resenha:

 A peça inicia com o príncipe Hamlet melancólico pela morte repentina do seu pai, o Rei Hamlet, e também porque, em menos de dois meses depois do seu falecimento, a rainha sua mãe casou-se com o irmão do rei morto: “Há algo de podre no Reino da Dinamarca!”.

A trama da tragédia se desenrola a partir do aparecimento do Fantasma do Rei Hamlet, pai do príncipe Hamlet, para informar ao filho que a sua morte não foi por uma picada de serpente, como a versão mentirosa adotada pela corte, pois a verdadeira serpente foi o irmão do rei que colocou veneno em seu ouvido enquanto ele estava dormindo: “Assim, dormindo, pela mão de um irmão, perdi ao mesmo tempo a coroa, a rainha e a vida.”

Então o príncipe Hamlet comenta: Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a filosofia. Depois desta revelação do Fantasma do Rei de sua morte ter por assassinato, o príncipe Hamlet assume um comportamento alucinado blasfemando contra tudo e todos. Ser ou não ser – eis a questão. Pegar em armas contra o mar de angústias ou morrer, dormir. O obstáculo são os sonhos que hão de vir no sono da morte. Quem aguentaria fardos numa vida servil senão pelo terror de alguma coisa após a morte?

O Rei e a Rainha tentam entender por que Hamlet se acometeu desse estado de loucura, e desconfiam que seja por estar apaixonado por Ofélia, cujo pai Polônio proibiu o namoro dela com o príncipe, por achar que ele apenas queria abusar da ingenuidade e pureza da filha. O novo Rei e a Rainha passam a espionar Hamlet em seus longos monólogos delirantes. Em um encontro do príncipe com a rainha sua mãe, ela havia instruído o serviçal Polônio, seu conselheiro, a ficar atrás da cortina escutando a conversa para auxiliar no entendimento da razão da loucura de Hamlet.  Porém o príncipe percebeu que havia alguém atrás da cortina: O que isso? Um rato? Num lance com o florete dá uma estocada através da cortina e mata Polônio, o pai da Ofélia.  Hamlet comenta: Eu não estou louco de verdade, estou louco somente por astúcia.

Ofélia também passou a delirar enlouquecida depois da morte do seu pai, cuja causa não foi esclarecida pela corte. Laertes, o irmão de Ofélia, voltou do exterior com a notícia da morte do pai. Uma desgraça marcha no calcanhar de outra: Ofélia morreu afogada no riacho. Laertes comenta ao saber da que sua irmã morreu afogada: Já tens água demais, pobre Ofélia. Por isso contenho minhas lágrimas.  O Rei e a Rainha informam Laertes que foi Hamlet quem matou o pai dele e de Ofélia, que o príncipe  é o causador da desgraça de sua irmã. E orientam Laertes, que é um exímio espadachim, para que realize seu desejo de vingança lutando com Hamlet nas regras da esgrima, porém colocando veneno na ponta de seu florete para que o mínimo toque mate seu adversário. E por via das dúvidas, o Rei colocará veneno numa taça de vinho comemorativo para oferecer a Hamlet quando ele estocar Laertes.

No entendimento popular a morte de Ofélia foi por suicídio, mas a corte adotou a versão de que foi por ela ter caído do alto do galho de um salgueiro à beira do riacho. Assim ela pode ser enterrada numa sepultura cristã.

Numa cena em que os coveiros estão cavando a cova para Ofélia, um deles encontra um crânio que o coveiro identifica como o do Bobo do Rei. Hamlet pega o crânio e conversa com ele: Olá, eu o conheci, mil vezes me carregou nas costas!   Onde andam agora tuas piadas, tuas cambalhotas e teus lampejos de alegria que provocavam gargalhadas?  E agora fede assim!

Nisso chega no cemitério o Rei, a Rainha e Laertes com o corpo de Ofélia acompanhados com padres e procissão.  Só então Hamlet fica sabendo que a pura Ofélia morreu, ele salta dentro da sepultura e pede para enterrarem os dois juntos, o vivo e a morta.   Laertes fica indignado e começa a lutar com Hamlet. Durante a luta o príncipe revela que amava Ofélia. No meio da luta o Rei oferece um brinde com a taça envenenada para Hamlet, mas ele não aceita e prefere continuar lutando. Nisso a Rainha sua mãe bebe da taça envenenada e  oferece ao seu filho  que outra vez rejeita. Laertes fere Hamlet com seu florete com veneno, na violência deste golpe as espadas saltam no chão e são trocadas e Hamlet fere Laertes também com o florete envenenado. A Rainha morre, e Laertes cai e avisa que ambos vão morrer, pois Hamlet também foi estocado pela mesma arma que ele. Então Laertes percebeu a trama e acusa o Rei como sendo o culpado por tudo. Hamlet então fere o Rei com a arma envenenada, dizendo: Toma Rei maldito, assassino, segue minha mãe. O Rei morre.

Laertes parabeniza Hamlet dizendo que o Rei teve o que merecia, e que trocava o perdão do príncipe pelo seu perdão: “Que a morte de meu pai não pese em ti, nem a tua morte pese em mim!   Laertes morre.

Hamlet se despede assim em sua derradeira fala: O Céu te absolva! Vai, eu te sigo. Estou morto, mas você Horácio que vive explique a minha causa fielmente àqueles que duvidem, para que as coisas não fiquem assim ignoradas. O resto é silêncio. Hamlet morre.

No fim morreram todos os personagens protagonistas da tragédia de Shakespeare, numa guerra de todos contra todos, restando apenas um personagem secundário da peça com esta missão de contar para a prosperidade a história de Hamlet, o príncipe da Dinamarca.

A propósito da prosperidade, na virada de 2025 para 2026 houve uma polêmica que viralizou nas redes sociais no Brasil, acumulando milhões de visualizações, com a música “The Fate of Ophelia” da Taylor Swift. Surgiu uma versão da música em português, criada por inteligência artificial, com o título “Sina de Ofélia”, que utilizou sem autorização as vozes clonadas dos cantores brasileiros Dilsinho e Luisa Sonza. A música com o tema da tragédia de Ofélia de Shakespeare entrou no Top 50 do Spotify no Brasil antes de ser derrubada´.

Em Hamlet a Dinamarca está ameaçada de ser invadida pela Noruega que quer retomar parte de seu território e, no final, após a morte de toda a família real dinamarquesa, o Príncipe Fortinbrás da Noruega assume o trono da Dinamarca sem resistências. Atualmente o Trump ameaça invadir a Groelândia para os EUA se apropriar deste território da Dinamarca. Encontrará Trump maiores resistências dinamarquesas do que Fortinbrás?  

                                                                                                             04/02/2026 – Celso Afonso Lima

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